Domingo, Novembro 08, 2009

noções para viver sem ti

« não queiras saber o que eu já pensei de ti


na negação da tua ausência fui esgotando a minha lista


e o que eu ganhei


tanto quanto eu sei


são noções pra vivem sem ti »

Sábado, Novembro 07, 2009

Faz-de-conta

VERDADE Nº3

Brincamos ao faz-de-conta porque isso nos deixa sossegados.
Na cama, dormimos com as certezas que nos fazem ser homens e mulheres de bem. Mas quando a janela se abre somos para o mundo mais alguém, sôfrego por se preencher.
Sempre que brincamos ao faz-de-conta magoamos alguém. Alguém. Porque há sempre alguém enganado neste faz-de-conta que somos amigos, faz-de-conta que somos felizes, faz-de-conta que te amo, faz-de-conta que não existem problemas, faz-de-conta que ninguém nos mente, faz-de-conta que me dedico, faz-de-conta que sei o que quero, faz-de-conta.
Ninguém nos explicou as regras mas todos sabemos jogar, inventamos um carisma, desculpamo-nos com um feitio especial, ou dizemo-nos demasiado ingénuos para assim escapar à responsabilidade. Até nisso fazemos de conta.
No final de contas andamos simplesmente à procura de alguém que seja melhor que nós a jogar ao faz-de-conta, e, tornamo-nos assim nos próximos a ser enganados.


Segunda-feira, Novembro 02, 2009

meu amor, meu amor


















«Tenho saudades tuas
isso eu sei porque eu sinto no meu
peito esta ruas

nunca imaginei um amor assim
e agora até ficou real
mas isso trouxe coisas atrás
no momento de uma decisão percebes
tudo o que o presente faz
mesmo querendo ter alguém eu quero
ter-me a mim
mas meu amor, meu amor
nenhum de nós deixará de ser real

passo por essas ruas
isso eu sei porque eu sinto ter ainda
no meu peito coisas tuas»


foge foge bandido

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Em ti há

«Em ti há qualquer coisa que me anima,


Em ti há qualquer coisa que me transcende
Que me queima as palavras, que não rima.


Em ti, há qualquer coisa que me prende.


Que me queima as palavras, que não rima.
Em ti, há qualquer coisa que me prende.»


oquestrada

Domingo, Outubro 25, 2009

Domingo, 25 de Outubro

Meio.
Meio cheio ou meio vazio?
Eu diria meio vazio.


6, :)

Terça-feira, Outubro 20, 2009

algo bom?

ALGO BOM
pensa em algo bom

~ Foge foge bandido





(estou a fazer muita força, punhos e olhos cerrados, à cabeça vêm-me pensamentos cansados, cansados de insistir)

Domingo, Outubro 18, 2009

na noite para dia II - o cenário possível








« imaginem um abraço
o meu queixo pousado no teu ombro
e eu viajando no teu cheiro pelos
trilhos do silêncio
é o cenário possível de um homem
sozinho de cerveja na mão
sentado na varanda olhando a lua e a 
comer pimentos padrão
comê-los contigo era perfeito como
olha a cidade à noite
olhá-la contigo era pensar noutras
formas de ver »
Este, aqui

na noite para dia


Hoje, quando acordei no verão, o sol parecia brilhar com mais força. Foi difícil habituar-me depois de tanto tempo a dormir. Sim, depois de turvo o sol rompeu as nuvens e iluminou o mar tão cansado, mas limpo. Já ando a escrever sobre esta possibilidade há uns tempos, mas senti-la, vê-la, tocar-lhe? ...só hoje de corpo inteiro, à luz. Foi preciso a tempestade indicar-me o caminho até à minha praia, para me esconder as feridas, recolher-me o sangue. Foi preciso o meu grito fúria de braços altos e dedos esticados firmes, foi preciso esbracejar e pontapear e olhar de frente e sem poemas de amor para o espelho na água suja caída no chão.
Sim, é de amor que falo. Coisa grande em que se acredita em certas manhãs.
Ontem, de pés assentes em pedra fria perdi a inocência, mas hoje, acredito em muito mais coisas.

o fio dos dias

São sempre tão compridos quando não te vejo, meu amor, e tão curtos quando chegas, apesar de conseguires fazer parar sempre os ponteiros do relógio ou até de os pores a andar ao contrário - parece-me que isso aconteceu outro dia, quando me encostaste à parede da entrada, mas não tenho bem a certeza, porque o amor cega e ensurdece e uma pessoa só ouve duas coisas, a batida do seu coração e a batida do coração do outro, que como bate a par com o nosso, acaba por ser só uma – por isso afinal talvez nem se tenham movido, porque sempre que tu chegas paras o tempo, os ponteiros têm medo de continuar a andar, por isso imobilizam-se, suspensos pelo fio da eternidade, à espera que tu saias e os deixes continuar a dar sempre a mesma volta, fechados dentro do relógio e deve ser por isso que se queixam, tic-tac,tic-tac, quem sabe, à espera que um dia alguém lhes abra o vidro e lhes resgate a liberdade, com a mesma doçura com que abres as portas do meu coração, quando entras, no fim dos dias compridos que morrem à tua chegada.

margarida rebelo pinto

Sábado, Outubro 17, 2009

lado direito da vida

« As palavras guardam o que julgamos ter perdido para sempre, é por isso e para isso que escrevemos, para resgatar o impossível, porque o amor, por mais puro e forte que seja, não resiste à solidão e ao abandono, muito menos a outro amor que nos fecha o mundo nas mãos.  (...)
Eu estou do lado de cá e quero-te puxar o lado direito da vida, onde as pessoas lutam pela felicidade e pelo amor. Sei que é muito mais difícil viver assim, mas acredita que vale a pena. É este o presente que te dou. Posso-te puxar quando quiseres, e mesmo que não te abra os braços, estendo-te a mão a pedir baixinho que não desistas de crescer, de olhar para dentro do teu coração e de escolheres o caminho mais difícil, o único que te poderá levar onde mais precisas, isto é, dentro de ti. »
margarida rebelo pinto


Sexta-feira, Outubro 16, 2009

nothing wrong, nothing right






Let's take a breath jump over the side

You know that darkness always turns into light 

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

o que custa não é o silêncio. o silêncio é conforto quando dois espíritos estão na sua essência. o que custa são as palavras medíocres, as respostas vagas que nos deixam perdidos entre milhares de suposições. o que custa não é o silêncio, são as palavras.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Anda daí, anda...

Anda daí, vem sentar-te na lua comigo. Imagina o trabalhão que tive, mas agarrei uma estrela só para ti. Somos amigos há tantos anos, muitos mais do que aqueles que já vivemos. (...)
Por isso talvez a nossa amizade venha de outro tempo, um tempo sem tempo, uma existência eterna e paralela onde tu também tens dezoito anos e todas as noites podemos subir à lua e apanhar estrelas. (...)
Mesmo que seja na lua, ou cá em baixo, entre os homens, tanto faz o tempo e o lugar, o que conta é o modo de ser e de amar.

margarida rebelo pinto

Domingo, Outubro 11, 2009

amor de papel


Cheguei a casa com as tuas flores de papel presas no coração. Escolhi uma jarra antiga, e plantei-as na sala onde descanso, sonho e trabalho. As tuas flores são enormes, generosas, simpáticas e guardam o teu perfume. Sempre que passo por elas, o teu cheiro entra pelo meu corpo e enche-me de bem estar. É sempre cheia de bem estar que me sinto quando penso em ti, na tua alegria, generosidade e beleza, mesmo que o nosso amor seja feito de papel como estas flores.
Não precisamos de o regar todos os dias, nem de adubos, nem cortar os caules. Nem sequer precisamos de água, o nosso amor é quase imaterial,
tu aí e eu aqui, milhares de quilómetros por terra e duas horas e meia de voo.
Quando te vejo, o meu amor desenhado no papel torna-se real, ganha vida, cor, textura e cheiro e somos só um na mesma casa, siameses a passear na rua, gémeos a conversar, namorados a dormir. A nossa vida enche-se com a do outro e tudo o que desejamos é que o outro esteja tão feliz como nós. Depois, quando me separo, já não choro. Sei que o que pode acontecer é um mistério da existência e quanto menos planear, mais sorte vou ter. Demoro alguns dias a descer à terra, vou ao supermercado e encho o frigorífico para disfarçar o vazio no coração e escrevo muito, porque enquanto escrevo é como se aqui estivesses ao meu lado, gémeos a dormir e namorados a conversar, a lareira acesa e a paz de uma continuidade sonhada, porém possível.
É um amor de papel, frágil e opaco, leve e branco, feito de ideias, de sonhos, de esperança e de muitas cores. Um amor sem planos nem projectos, quase adolescente, intenso, puro e perfeito, que não precisa de provas nem palavras.
O amor é um acto de fé, uma manifestação de esperança. É como plantar uma semente. Por isso, a última vez que te fui visitar, também trouxe uma caixa de bolbos para plantar no meu jardim. Estou atrasada porque o Inverno já começou, mas pode ser que tenha sorte e na Primavera a minha entrada em casa seja um festival de cores e aromas. Algumas flores vão morrer, outras vão ser mais pequenas, mas sei que as mais fortes vão vencer o frio e germinar com grande beleza e generosidade. E sei também que por esses dias te vou ver por aqui, a ensinar-me a cuidar delas, tu que cuidas do meu coração melhor do que ninguém e nem sequer sabes.
O nosso amor é de papel, como as flores que me deste e no papel há-de ficar, para sempre escrito nas minhas palavras. E se um dia se transformar em qualquer outra coisa, será sempre numa outra forma de amor, porque o papel vem das árvores, mas o amor vem do amor e nunca morre, mesmo depois de cortado, prensado e transformado, porque amor é como plantar um semente e tu já plantaste a tua no meu coração.
margarida rebelo pinto




Guano Apes "Quietly" from Tedat on Vimeo.
Verdade nº 2


As pessoas são capazes de mentir. Quem diria hein?

Sábado, Outubro 10, 2009

Mostra o teu jogo



«Hoje preciso de um pois, preciso de um sim.
O que é que queres de mim, hoje sinto-me assim.
Hoje preciso de um pois, preciso de um sim.
O que é que queres de mim, hoje sinto-me assim.


Ecos de risos, sinfonias de gritos.
Como sangue na barriga de mosquitos.
Hoje preciso de mim.
Mostra o teu jogo. Eu pago para ver.»

Linda martini



Quarta-feira, Outubro 07, 2009

estou tão quente, tão quente. cá dentro :)

Terça-feira, Outubro 06, 2009

trees, they move


trees, they move. from rc cone on Vimeo.

Domingo, Outubro 04, 2009

o meu quarto












«Um roupeiro, um espelho, uma cadeira,
nenhuma estrela, o meu quarto, uma janela,
a noite como sempre, e eu sem fome,
com uma pastilha e um sonho, uma esperança. (...)

Falta-me.
Desde há dias que o meu coração quer fincar-se
debaixo de alguma carícia, uma palavra.
É áspera a noite. Contra muros, a sombra,
lenta como os mortos, arrasta-se. (...)

Amo-a até ao fundo de todos os abismos,
até ao último voo da última asa,
quando a carne toda não for carne, nem a alma
for alma.
É preciso amar. Isso já sei. Amo-a.
É tão dura, tão frágil, tão clara!
Esta noite, falta-me. (...)

Vou para outra parte.
E levo a minha mão que tanto escreve e fala.»



josé luís peixoto

Aparte I

esta semana foi curiosa. é estranho como tudo acontece numa sequência lógica e quase, indestrutível. falavam-me de amor. fizeram-me quase acreditar na pequenez dos momentos. contaram-me histórias. há quem ame e não sabia fazer outra coisa na vida, há quem sufoque de amor, há quem tenha descoberto o que é amar e não saiba o que fazer com tanta perfeição. em todo o caso, rio-me. primeiro nunca sei de que amor falamos. depois a efemeridade mundana lembra-me que não posso perder tempo. curioso é que já ninguém é nada sem alguém. o ser humano é sôfrego de emoções, carente mas sobretudo indeciso. tanto se cansa como deseja. disseram-me que serviam para fazer alguém feliz. disseram-me que se bastavam para viver. e depois eu penso. então mas para fazer alguém feliz temos de deixar de viver? ou para viver não temos tempo para fazer alguém feliz?
eu penso, penso mas sei lá. nem sei se quero saber a resposta.

Sábado, Outubro 03, 2009


Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Pára.



« Sentimos no ar a melodia etérea. É a nossa música.
Cantamos e dançamos como se fosse a última vez, o
último olhar, o último toque, o último beijo.
Estás linda.
O teu vestido, da cor do vinho que enche os copos,
aquece o chão que pisas e relembra a razão. Todas as
razões.
Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui.
Os olhos param em ti e em mim, enquanto preenchemos o
espaço vazio, impossivel de preencher por alguém que
não nós. Não pedimos o fim, mas não nos importamos se
acabar assim.
Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui. O
mundo é grande e em todo o lado se vive. Diz-lhe para
parar aqui, vivemos em caixas de fósforos. Não
sopres.
Se as mãos pudessem dizer por mim.
Eu queria tanto parar aqui.


Pára.»
Linda Martini

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Desistir

«Com o mundo completamente parado, com a idade parada, não é difícil parar também e, rodeados de fragmentos: uma existência inteira feita de vidro estilhaçado e espalhado no chão: o mais natural é baixarmo-nos sobre os calcanhares, pousar os cotovelos sobre os joelhos dobrados e, com cuidado, esticar as mãos para, com a ponta dos dedos, se começar a escolher cada fragmento, distinguir o que se deve abandonar do que se deve manter. Desistir não é sempre mau. Há vezes em que não se pode evitar. Todos nos dizem continua, continua, mas é o mundo que desiste, inteiro, à nossa volta.»
josé luís peixoto

Domingo, Setembro 27, 2009

mundos II

«Gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te.
Homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te.
Silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te.
Destruição contra o caos, destruição contra o caos, e eu amo-te.
Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te.
Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te.
Toda a cidade se destina à noite e eu amo-te.»



josé luís peixoto

mundos






Paciência

«Ensinaram-me que temos que ter paciência. Paciência e cuidado. As palavras perdem força só por serem ditas. Perdem sentido só porque os segundos passam. Disseram-me que tivesse paciência com elas, que magoam, destroem, embalam, aquecem. Disseram-me que tivesse cuidado também, pois podia perder-me no silêncio da tirania da minha consciência que teima em trazer a minha alma na boca. De facto subjuguei-me a ela. Por preguiça ou comodismo, talvez mesmo por não confiar em mais ninguém. Quem sabe assim saiba escolher. Saiba quem sabe um dia dizer as palavras certas. Porque temos sempre algo a perder, porque há sempre uma escolha, porque tem de haver um caminho só. O segredo é ter paciência. Paciência.»

Sábado, Setembro 26, 2009

heaviness

http://www.myspace.com/heaviness

Your Hand in Mine


Estou a deixar de me importar. 
Às vezes com o mundo, às vezes com a minha própria dor.
E estou a seguir, estou mesmo a seguir.

A minha estrela


« A noite
me pinga uma estrela no olho
e passa » p. leminski


Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Não basta

Quando não sabemos o que fazer às coisas não basta esperar que o tempo as tome por certas. Não basta. Pois ninguém espera. Nem mesmo quem ama.

















Coisas do arco da velha

Domingo, Setembro 20, 2009

Não fosse isso..





«não fosse isso 

e era menos 

não fosse tanto 

e era quase



não tenho mais tempo para silêncios.
não tenho mais tempo e nem paciência para silêncios.
não tenho mais paciência para sofrer no chão da cozinha.



não discuto
com o destino


Já disse de nós.
Já disse de mim.
Já disse do mundo.
Já disse agora,
eu que já disse nunca.
Todo mundo sabe,
eu já disse muito. »



Poesia de, P. leminski
(descobri este senhor numa parede de um bar e nesta noite, foi aconchego em palavras)

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Saudosismos


"As fotografias enganam o tempo suspendendo-o num pedaço de papel onde a alma não cabe"
e a minha alma já não cabe em papel nenhum.













dos meus livros favoritos, De Amor e de Sombra, Isabel Allende


Quinta-feira, Setembro 10, 2009

É então














« É então que me convenço finalmente que nunca serei campeão de xadrez, nunca registarei uma patente, nunca conduzirei uma Harley Davidson, nunca invadirei um pequeno país, nunca venderei relógios roubados aos transeuntes da rua Augusta, nunca serei protagonista de um filme de Hollywood, nunca escalarei o monte Evarest, nunca farei uma colcha de renda, nunca apresentarei um concurso de televisão, nunca farei uma neurocirurgia, nunca ganharei a lotaria, nunca casarei com uma princesa, nunca ficarei viúvo de uma princesa, nunca me mudarei para Detroit, nunca farei voto de silêncio, nunca tocarei harpa, nunca serei o empregado do mês, nunca descobrirei a cura para o cancro, nunca beijarei os meus próprios lábios, nunca construirei uma catedral, nunca velejarei sozinho à volta do mundo, nunca decorarei uma enciclopédia, nunca despoletarei uma avalanche, nunca apresentarei cálculos que contradigam Einstein, nunca ganharei um óscar, nunca atravessarei o Canal da Mancha a nado, nunca participarei nos jogos olímpicos, nunca esfaquearei alguém, nunca irei à lua, nunca guardarei um rebanho de ovelhas nos Alpes, nunca conhecerei os meus tetranetos, nunca repararei a avaria de um avião, nunca trocarei de pele, nunca bombardearei uma cidade, nunca serei fluente em finlandês, nunca comporei uma sinfonia, nunca viverei numa ilha deserta, nunca compreenderei Hitler, nunca exibirei um quadro no Louvre, nunca assaltarei um banco, nunca darei um salto mortal no trapézio, nunca atravessarei a Europa de bicicleta, nunca lapidarei um diamante, nunca farei patinagem artística, nunca salvarei o mundo. Ainda assim, além de tudo isto, há o universo inteiro. »
josé luis peixoto

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

cumpre alto














«Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho.»


Fernando Pessoa

o primeiro dia







«O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente.»
miguel sousa tavares

Terça-feira, Setembro 08, 2009

we felt safe and we discovered that our skin is soft

«I took the lights and radio towers out of my dreams
And we went all the way up to the small town where I'm from
With foggy air and the wind and the mountain top
And we clung to rocks and looked off and you held my hand
You almost got to start feeling me
I finally felt like I was breathing free
Under swaying trees we fell asleep and we had the same dream
The stars were bright, we dream the same every night
On my island home I spent some time with you

I went back to feel alone there
I went back there by myself
I gave up on everything that we'd felt

Every night when the sun went down in the town where we lived
The empty streets were lit up by reflected light from a distant sun
Bouncing off a glowing ball of rock and we just laid on the roof
And watched the moon, the moon, the blue light of the moon
We didn't talk and silently we both felt powerful
And, like the moon, my chest was full because we both knew
We're just floating in space over molten rock
And we felt safe and we discovered that our skin is soft
There's nothing left except certain death
And that was comforting at night out under the moon

I went out last night to forget that
I went out and stared it down
But the moon stared back at me
And in it's light I saw my two feet on the ground»

the microphones





Domingo, Setembro 06, 2009

Santiago de Compostela '09

«Olha agora o caminho que percorreste, respira ainda mais fundo, escuta o coração, procura um abraço, e vais perceber que há uma força que te guiou sempre, porque Ele também é uma viagem, que nos ensina a percorrer sonhos, a lutar mais forte e é dele que vais aprender a gostar.» 

Rui Anjos




Terça-feira, Setembro 01, 2009

Amo-te







Escaparam-me, e agora?

Domingo, Agosto 30, 2009

últimas palavras













« - E fui eu o último com quem ele falou.
- Foram para si as últimas palavras?
- É verdade. Muito inesperado.
- Que privilégio!
- Obrigado. Falou pouco, foi muito breve, brevíssimo.
- Conte, conte.
- Quase em surdina, disse-me apenas isto: «Foi de si que eu mais gostei. Deixo-lhe o mais importante…deixo-lhe o meu último superlativo. Guarde-o bem.» E expirou, quase imperceptivelmente.
- Guarde…? Mas guarde o quê?
- Você ouviu. O último superlativo. A herança, portanto.»

uma única vida















« Eu olho para esse horizonte, arrependo-me e não me arrependo, tento compreender ou lembrar-me daquilo que quero mesmo. Depois, penso em tudo aquilo que posso fazer para que aconteça: os gestos e as palavras. Depois, hoje é um dia mais forte e, de repente, imenso. Depois, penso em tudo aquilo de que terei de desistir para alcançar o que quero: para ser o que desejo ser. Então, não fico triste. Aceito tudo aquilo que nunca fiz e que acredito que nunca terei vida suficiente para fazer. Num dia, avisado ou sem aviso, morrerei. Estas mãos serão nada. Este rosto será nada. Uma única vida é pouco. »
josé luís peixoto

Dissertação II

Momentos. Segundos. Tempos.
Que o mundo escolhe. Que agora perdemos. Juramos. Caímos. O mundo encolhe. Nós também.
Nós e o tempo. A velha história. O velho desacordo.
Caímos. Já não juramos. Tempos. Mudamos e queremos ficar.
O mundo estica. São as pessoas, as vidas, os cheiros das manhãs.
A velha história. São desalentos alentados de esperança. Segundos.
Depois vêm as histórias dos tempos. E queremos ficar. E que fiquem todos, perto. Esperança.
E o mundo encolhe.
Os cheiros das manhãs, a pele nua e suada. São as pessoas.
Os amores, os abraços, o quente. E queremos ficar. Mas o mundo só encolhe. Nós também.

Sábado, Agosto 29, 2009

Entretanto

« Entretanto, apaixonaram-se e desapaixonaram-se; saltaram por cima de momentos que foram como abismos; existiu a casa; existiram todos os objectos da casa, divididos e arrumados em caixas de papelão; existiu a mágoa como se fosse o mundo inteiro, não era; existiram as pessoas que morreram mesmo ao lado, que pareciam eternas e que, devagar ou num instante, foram esquecidas, fácil; existiram as pessoas que estavam mesmo ao lado e que receberam telefonemas para comunicar-lhes que a mãe tinha morrido num hospital; e repetiram a vida continua, a vida continua; e o verão e o verão e o outono, a primavera, tão bom, e o verão, o outono, e o inverno e o inverno. Um dia, acordam e o passado não é suficiente sequer para lhes encher a palma de uma mão. »
José Luís Peixoto

ID I















Gosto do cheiro a relva cortada pela manhã quando abro a janela, o cheiro a grão de café quando chego à cozinha, gosto de muitos e cobertores seja inverno ou verão e a água do banho a escaldar. Gosto do cabelo molhado depois de um dia de chuva, de um homem em silêncio sentado ao meu lado onde eu possa deitar a cabeça e uma janela de madrugada. Gosto de uma boa risada e de música a todo o minuto. Gosto. Mudar não, melhorar.

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Solidão

« Precisamos de amigos e, quando os amigos não estão por perto, temos que transformar a solidão na nossa principal arma.
Tudo o que nos cerca tem que ajudar-nos a dar os passos que precisamos em direcção ao nosso objectivo.»
Paulo Coelho

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Instante mágico?









« Todos os dias Deus dá-nos um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. O instante mágico é o momento em que um 'sim' ou um 'não' pode mudar toda a nossa existência. A felicidade às vezes é uma bênção - mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia ajuda-nos a mudar, faz-nos ir em busca de sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões. Mas tudo isto é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.»

Paulo Coelho

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

a...











quase, quase, quase quase, quase, a.

o coração guarda o que se nos escapa das mãos

« O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.»
Miguel Esteves Cardoso


Terça-feira, Agosto 25, 2009

Ilusões II









«Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu para sempre. »

Miguel Sousa Tavares

Essencial













« Cada vez vou sentindo mais que se não pode perceber o que seria essencial perceber, mas procedo sempre como se estivesse convencido do contrário, ou, por outras palavras, não renuncio.»

Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Princesa















É a Leonor.
Põe um chapéu que lhe fica grande demais, veste uma vida que não é sua e brinca às princesas.
Não pede muito, não se importa se o príncipe não chegar e se a sua casa não for de chocolate. Pede só que a deixem brincar, brincar.
É a Leonor, meiga e pequenina a brincar às princesas.

Ilusões I


















« Não somos seres suspensos em bolas de sabão, que vagueiam felizes pelos ares; nas nossas vidas há um antes e um depois, e esse antes e esse depois são uma ratoeira para os nossos destinos, pousam-se sobre nós como uma rede se pousa sobre a presa. »

susanna tamaro

(a sonhar)















Sou só eu, (a sonhar) aqui.

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Cristo

« Chega sempre o dia em que novas propostas nos são feitas. É preciso aceitar desafios, ir ao encontro do desconhecido, trilhar sonhos.
O fim não pode assustar pois o que importa é o caminho, o que importa é crescer.
Importa levantar as mãos para o céu, rezar e voltar a olhar para os nossos pés, agir.
Há viagens que duram uma vida. É uma espera sem fim. Uma luta, uma dedicação, uma aceitação. Aprende-se a amar, a saber escutar, a querer tocar. Sente-se uma força que o mundo não consegue compreender. Mas isso não nos incomoda porque somos capazes de perdoar.
Um dia, esperamos encontrá-Lo. E se descobrirmos que afinal não existe nada para além do vazio, sabemos que fomos felizes, e em graça.
Ámen. »

e ainda não partiste, eu ainda estou aqui

« A minha idade irá parar no momento em que partires. Será uma espécie de morte cinzenta. Serás tu que partes, mas serei eu que desapareço. Para onde fores, haverá pessoas, que já existem agora, que respiram. No teu caminho, serão como pontos intermitentes de brilho. Talvez fales para essas pessoas, talvez elas te chamem pelo nome. Para onde fores, haverá mundo e vida. Aqui, continuará apenas a varanda onde estou: um balcão inútil sobre esta paisagem que se dissolverá numa cor única assim que partires. Sem surpresas, passarei a mão pelo cimento. Essa será uma carícia imaginária e desperdiçada.
Mas isso será depois, quando existirem lâminas em todas as lembranças, incêndios, horas suspensas e irreversíveis. Agora, estou aqui e ainda não partiste. A despedida já começou em cada palavra porque sei imaginar o silêncio, conheço-o. Engano-me a acreditar que só eu conheço o silêncio. Como em tantas outras tragédias banais, a mentira é um consolo, é sobrevivência. E ainda não partiste, eu ainda estou aqui. Dentro de mim, gotas de chuva caem sobre uma superfície lisa de água, misturam-se com ela e perturbam-na desde o seu interior, desenham uma organização impossível de círculos que se alargam e colidem. Agora, o céu triste. Agora, a tranquilidade. »
José Luís Peixoto

Terça-feira, Agosto 18, 2009

Não sei









« Não sei. Mas creio que é assim. Só temos uma única vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefinição, transformámos as certezas que construímos na nossa própria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa existência dependia delas e que não seríamos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, é o nosso sangue. Mas, em consciência absoluta, não podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada, nem de nada de nada de nada. Assim, repetido até nos sentirmos ridículos. E sentimo-nos ridículos muitas vezes e, em cada uma delas, a única razão desse ridículo é não conseguirmos expulsar da nossa biologia, do nosso sangue, dos nossos órgãos, essas certezas injustificadas, ou justificadas por palavras sempre incompletas. Mas é bom que seja assim. Porque podemos continuar e, enquanto continuamos, continuamos. Estamos vivos. Ou acreditamos que estamos vivos, o que é, talvez, a mesma coisa. »
José Luís Peixoto

Domingo, Agosto 16, 2009

segundo















Um segundo. Deixas de ter medo, um dedo de cada vez, o sol a queimar a pele.
Só não sabes se queres ver o que está à tua volta. Não sabes.

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

momento

uma espécie de céu, um caminho cansado, um poema deserto, um suspiro escondido, um pedaço de mar, dois corpos despidos, quando um beijo não basta. Solta-me o cabelo.


Terça-feira, Agosto 04, 2009

cont.

e entretanto encontrei. preciso mesmo de acreditar nisto, hoje.

«à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal.»

In Cemitério de Pianos

intervalo doloroso















Não me apetece escrever nada, estranho não é? são dias.