Domingo, Dezembro 06, 2009

eu e a outra parte


«Foste bater à porta mais uma vez não foi? 
Tu só querias ver, mas principalmente querias ver-te a ser olhado. Não querias ser tu a chamar… mas há noites mais fracas…



A “outra parte” apareceu em tua casa com a força de sempre


de repente


e olhou para ti.

Tal foi a intensidade deste acontecimento, tal foi a maneira como recebeste esse abraço, a novidade da recordação explosiva, que sem falar perguntaste:






-Já sabes para onde queres ir?




Ainda que não pelas tuas palavras, perguntaste,
ainda que não com estas palavras, a pergunta foi esta,
depois do tempo tentar esquecer tudo, a pergunta tinha que ser essa…
Como nos filmes, o silêncio do antes, a pausa. Sentiste a “outra parte” a tremer e a pôr mais uma vez tudo em causa,
tudo o que sempre existiu,
tudo o que sempre foi a verdade da outra parte,
tão solida como o chão.

A “outra parte” sussurra…
Continuas a ouvir a “outra parte” a perguntar se a tua mão é real,
se aconteceu mesmo a historia em que o mundo se desdobrou
e vos mostrou um jardim novo,
por outro lado,
na possibilidade de mudar.

Sentiste a “outra parte” mais uma vez cansada,
como já a sabias,
com sede de ti como tu também,
dela.
Sentiste a outra metade a tremer do fundo de onde vinha a voz, do lado longe, a chamar, vinha também a névoa, mas essa é feita de água como o que se escreve... disseste:

- Afinal existimos mesmo.

Afinal lembras-te
Afinal sentes tudo,
Afinal ouves, ouviste mesmo
afinal tens medo de mim também.
E agora? Agora que sabemos disto outra vez?
Vais adormecer nessa espécie de pântano?
Nesse vapor?
Nesse disfarce?
Na fraca segurança da fraca certeza?
há muito que nunca te chega...
E agora?

Há coisas que não se adiam…

-Já sabes onde vens?»

(tiagob.)
















vamos recomeçar sim?

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Por isso vem...


«Se cuidas de mim eu…
eu cuido de ti também
Dentro da minha mão
eu guardo-te bem
Se amar-mos do principio
se perdermos tudo outra vez
vou marcar-te bem
como um sonho vão
dentro da minha mão


Se cuidas de mim
eu cuido de ti também
Se vens em paz
eu venho por bem
Se formos bebendo o chão deste caminho
vou guardar-te bem
agora que sei
que não vou sozinho.

por isso vem...

Há uma praia depois sombra
uma clareira para iluminar
Há um abrigo no meio das ondas
tudo é caminho para iluminar
Por isso vem.»




Já me apaixonei por esta música novinha em folha, tiago bettencourt (como não podia deixar de ser)

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

acreditas?


«A inocência, de novo, amar

Quase tudo perfeito, amar de novo amar tudo
perfeito




O céu foi aqui nas nuvens
longe
onde nascemos
e voltámos para nascer



na viagem
no encontro



o abrigo nunca vai existir,
a não ser que acredites,
ao mesmo tempo que eu.»





Um momento

«Esta viagem que somos não acaba
A maneira de sermos como estrada
uma rua inquieta, um caminho
como ave deserta sem ninho
planando no nada.»


tiagobettencourte




preciso de um momento.

Domingo, Novembro 29, 2009

Sábado, Novembro 28, 2009

Aparte II

Conhecem aquela sensação de quem está aborrecido, de quem vê para além do óbvio mas a quem sufocam com hipocrisias?
Conhecem aquela sensação de tristeza, quando quem amamos nos vira as costas?
Conhecem aquela sensação de desconforto, onde nenhum lugar é lugar para ser?
Conhecem aquela sensação de lágrimas presas na garganta, ansiosas pelo conforto de quatro paredes?


Então juntem tudo isto à sensação que é alguém que não conhecemos de lado nenhum nos dizer que temos uma luz dentro de nós, que cuidemos dela, que não a percamos nunca.
Juntem e vão ver que chegar a casa será um descanso de alma onde todas as sensações se tornam muito mais pequenas perante isto.
Eu cheguei a casa e hoje está tudo tão pequeno. Tenho a minha luz nas mãos e acreditem, vou saber cuidar dela.



O amor

«Não sei de que é feito o amor, nunca descobri o seu segredo, mas sei que ando lá perto, que perto de ti, nos mais pequenos gestos, há uma espécie de amor que transpira no ar e transborda como uma onda e que me atira para aquele lugar perfeito que só existe no meu coração.»
margarida rebelo pinto





Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Agora que acordei..



«Agora que acordei, não há ninguém melhor que eu e é tudo tão efémero como chuva de verão, aquela que deixa o ar limpo.
Agora que acordo não amo, não sinto, desprezo e desdigo, deixo para trás quem já não sabe ler os sinais acordados. Desprendo, ignoro, sigo já o rumo à frente, sereno.
Sabemos as razões, sabemos as verdades e as mil mentiras, mas não resistimos às duvidas como portas entreabertas. A parte fraca não fecha portas sozinha.


A parte forte gosta de espreitar…
Hoje que adormeço, tão cansado… nesta passagem infinitamente entreaberta, sobre o teu olhar solto, inquieto, longe, inerte, à espreita… se não me lês, se não me ouves,
não existo.»

Tiago B.


Domingo, Novembro 22, 2009


Preciso de voltar ao mundo. Seja ele o meu ou outro qualquer que se acabou por instalar.


Sábado, Novembro 21, 2009

O meu estado melancólico persiste. Desculpem mas não quero correr o risco de aqui deixar «idiotices». 
Como esta.
Sou só eu e a minha nova vida, por uns tempos. Até lá.


Quinta-feira, Novembro 19, 2009




Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Is there something left to lose?

«What is there left to prove?
Is there something left to lose?
You've been playing Bowies with me
Tell me who are you supposed to be
Cus I don't know you anymore

Cus I can't do this anymore
I'm tired, I'm tired of being alone
You've been playing bowies with me
Tell me who are you supposed to be
Cus I don't know you»

O escuro


«Enquanto não cais eu sei
que enquanto eu não for não vens
faz medo não ser igual
faz medo mudar de mão
faz medo dizer que não
mas podes tentar

No escuro não te vais mudar
No escuro não te podem ver
À sombra não te vais queimar
À sombra não serás ninguém
E enquanto não dói, eu sei
Não te sabes ver.»


tiago b.


no escuro estamos todos não é? a diferença é se estamos ou não sozinhos.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Mais um dia

«Vai ficando virado para o céu
Vai deixando o tempo passar
Vai trincando o que te dão para comer
Talvez vá o mundo fluir

Só mais um dia assim...»



toranja



Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Mil caminhos

Às vezes leio textos que me fazem sentir realmente uma pessoa estúpida. Em primeiro lugar porque afinal é tão (parece) simples desabafar aquilo que nos agoniza (e todos sabemos o alivio que se sente quando «falamos em voz alta» o que nos vai cá dentro), em segundo lugar por que assim, no «papel» assume um ar ridículo e ao mesmo tempo demasiado sincero para engolir, em terceiro e por último a pergunta que nos assalta sempre, «Então e agora?»: acordamos por fim e não sabemos o que fazer quando tudo se torna claro nas nossas cabeças.
Este texto foi um desses estúpidos textos que me complicam mais a vida.





«Estão todos às voltas na minha cabeça como vozes difusas a pedir espaço, a pedir prioridade. (...) 
Mil caminhos, escolher só um, limpar limpar limpar, chegar ao principio outra vez. 
Cortar partes, letras, excessos, coisas a mais. Deixar partes, letras, excessos, domar as coisas a mais.
O “conceito” e a “verdade” caminhando juntos, nunca se sobrepondo, nunca se anulando.
A leveza que se quer é tão fácil com tão pouco… mas há que redescobrir cada passo.
O que está feito passou. Não quero repetir. Não é altura de repetir, ainda.
Sei das formulas e uso-as também, mas desdobradas, desordenadas, ambiciosas.
Não é necessário berrar para ser grande, não é preciso inventarmos personagens exuberantes para sermos diferentes.
Preciso só de silêncio, honestidade e humor para começar.
Preciso de alguém solto para ver de fora.
Preciso que o meu corpo como filtro se comova com o caminho certo
tiago b.





Domingo, Novembro 15, 2009

A pausa













«Em todas as casas
no escorrer das paredes
há um tempo de espera.
à espera de quê?
em todos os dias por trás das horas
há um tempo de espera
à espera para quê?
tudo parado, entorpecido
tudo não anda
porquê?

a areia no chão
o vento dormente
o ar inquieto...

a ideia de acontecer...

a pausa»


tiagobettencourtemantha

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Eu já te vi

«Também eu queria parar...
chorar... cair...
p'ra me levantar, p'ra te puxar!
Te fazer sorrir, não
voltar a cair!...

Não me olhes assim,
continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
Não dances tão longe,
que eu já te vi...»





faz-me parar, eu quero


«Eu quero a parte fraca
porque é nela que nos vemos
Desafio a parte forte
para agarrar no mundo
Quero o medo da coragem
e a coragem de ter medo
Tenho um corte que desvenda
Quero o fruto que se colhe
Pode ser anjo,
ou demónio
mas na toca não se escolhe

não se escolhe

não se escolhe.»


tiago b.



Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Ao coração


«Meu amor esta vontade
Meu amor se é verdade
Meu amor se queres saber
Abre espaço no que é teu
Para te dar o que é meu
Deixa andar... deixa ser.


faz bem ao coração

largar o que é em vão»


tiagobettencourtemantha





Domingo, Novembro 08, 2009

noções para viver sem ti

« não queiras saber o que eu já pensei de ti


na negação da tua ausência fui esgotando a minha lista


e o que eu ganhei


tanto quanto eu sei


são noções pra vivem sem ti »

Sábado, Novembro 07, 2009

Faz-de-conta

VERDADE Nº3

Brincamos ao faz-de-conta porque isso nos deixa sossegados.
Na cama, dormimos com as certezas que nos fazem ser homens e mulheres de bem. Mas quando a janela se abre somos para o mundo mais alguém, sôfrego por se preencher.
Sempre que brincamos ao faz-de-conta magoamos alguém. Alguém. Porque há sempre alguém enganado neste faz-de-conta que somos amigos, faz-de-conta que somos felizes, faz-de-conta que te amo, faz-de-conta que não existem problemas, faz-de-conta que ninguém nos mente, faz-de-conta que me dedico, faz-de-conta que sei o que quero, faz-de-conta.
Ninguém nos explicou as regras mas todos sabemos jogar, inventamos um carisma, desculpamo-nos com um feitio especial, ou dizemo-nos demasiado ingénuos para assim escapar à responsabilidade. Até nisso fazemos de conta.
No final de contas andamos simplesmente à procura de alguém que seja melhor que nós a jogar ao faz-de-conta, e, tornamo-nos assim nos próximos a ser enganados.


Segunda-feira, Novembro 02, 2009

meu amor, meu amor


















«Tenho saudades tuas
isso eu sei porque eu sinto no meu
peito esta ruas

nunca imaginei um amor assim
e agora até ficou real
mas isso trouxe coisas atrás
no momento de uma decisão percebes
tudo o que o presente faz
mesmo querendo ter alguém eu quero
ter-me a mim
mas meu amor, meu amor
nenhum de nós deixará de ser real

passo por essas ruas
isso eu sei porque eu sinto ter ainda
no meu peito coisas tuas»


foge foge bandido

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Em ti há

«Em ti há qualquer coisa que me anima,


Em ti há qualquer coisa que me transcende
Que me queima as palavras, que não rima.


Em ti, há qualquer coisa que me prende.


Que me queima as palavras, que não rima.
Em ti, há qualquer coisa que me prende.»


oquestrada

Domingo, Outubro 25, 2009

Domingo, 25 de Outubro

Meio.
Meio cheio ou meio vazio?
Eu diria meio vazio.


6, :)

Terça-feira, Outubro 20, 2009

algo bom?

ALGO BOM
pensa em algo bom

~ Foge foge bandido





(estou a fazer muita força, punhos e olhos cerrados, à cabeça vêm-me pensamentos cansados, cansados de insistir)

Domingo, Outubro 18, 2009

na noite para dia II - o cenário possível








« imaginem um abraço
o meu queixo pousado no teu ombro
e eu viajando no teu cheiro pelos
trilhos do silêncio
é o cenário possível de um homem
sozinho de cerveja na mão
sentado na varanda olhando a lua e a 
comer pimentos padrão
comê-los contigo era perfeito como
olha a cidade à noite
olhá-la contigo era pensar noutras
formas de ver »
Este, aqui

na noite para dia


Hoje, quando acordei no verão, o sol parecia brilhar com mais força. Foi difícil habituar-me depois de tanto tempo a dormir. Sim, depois de turvo o sol rompeu as nuvens e iluminou o mar tão cansado, mas limpo. Já ando a escrever sobre esta possibilidade há uns tempos, mas senti-la, vê-la, tocar-lhe? ...só hoje de corpo inteiro, à luz. Foi preciso a tempestade indicar-me o caminho até à minha praia, para me esconder as feridas, recolher-me o sangue. Foi preciso o meu grito fúria de braços altos e dedos esticados firmes, foi preciso esbracejar e pontapear e olhar de frente e sem poemas de amor para o espelho na água suja caída no chão.
Sim, é de amor que falo. Coisa grande em que se acredita em certas manhãs.
Ontem, de pés assentes em pedra fria perdi a inocência, mas hoje, acredito em muito mais coisas.

o fio dos dias

São sempre tão compridos quando não te vejo, meu amor, e tão curtos quando chegas, apesar de conseguires fazer parar sempre os ponteiros do relógio ou até de os pores a andar ao contrário - parece-me que isso aconteceu outro dia, quando me encostaste à parede da entrada, mas não tenho bem a certeza, porque o amor cega e ensurdece e uma pessoa só ouve duas coisas, a batida do seu coração e a batida do coração do outro, que como bate a par com o nosso, acaba por ser só uma – por isso afinal talvez nem se tenham movido, porque sempre que tu chegas paras o tempo, os ponteiros têm medo de continuar a andar, por isso imobilizam-se, suspensos pelo fio da eternidade, à espera que tu saias e os deixes continuar a dar sempre a mesma volta, fechados dentro do relógio e deve ser por isso que se queixam, tic-tac,tic-tac, quem sabe, à espera que um dia alguém lhes abra o vidro e lhes resgate a liberdade, com a mesma doçura com que abres as portas do meu coração, quando entras, no fim dos dias compridos que morrem à tua chegada.

margarida rebelo pinto

Sábado, Outubro 17, 2009

lado direito da vida

« As palavras guardam o que julgamos ter perdido para sempre, é por isso e para isso que escrevemos, para resgatar o impossível, porque o amor, por mais puro e forte que seja, não resiste à solidão e ao abandono, muito menos a outro amor que nos fecha o mundo nas mãos.  (...)
Eu estou do lado de cá e quero-te puxar o lado direito da vida, onde as pessoas lutam pela felicidade e pelo amor. Sei que é muito mais difícil viver assim, mas acredita que vale a pena. É este o presente que te dou. Posso-te puxar quando quiseres, e mesmo que não te abra os braços, estendo-te a mão a pedir baixinho que não desistas de crescer, de olhar para dentro do teu coração e de escolheres o caminho mais difícil, o único que te poderá levar onde mais precisas, isto é, dentro de ti. »
margarida rebelo pinto


Sexta-feira, Outubro 16, 2009

nothing wrong, nothing right






Let's take a breath jump over the side

You know that darkness always turns into light 

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

o que custa não é o silêncio. o silêncio é conforto quando dois espíritos estão na sua essência. o que custa são as palavras medíocres, as respostas vagas que nos deixam perdidos entre milhares de suposições. o que custa não é o silêncio, são as palavras.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Anda daí, anda...

Anda daí, vem sentar-te na lua comigo. Imagina o trabalhão que tive, mas agarrei uma estrela só para ti. Somos amigos há tantos anos, muitos mais do que aqueles que já vivemos. (...)
Por isso talvez a nossa amizade venha de outro tempo, um tempo sem tempo, uma existência eterna e paralela onde tu também tens dezoito anos e todas as noites podemos subir à lua e apanhar estrelas. (...)
Mesmo que seja na lua, ou cá em baixo, entre os homens, tanto faz o tempo e o lugar, o que conta é o modo de ser e de amar.

margarida rebelo pinto

Domingo, Outubro 11, 2009

amor de papel


Cheguei a casa com as tuas flores de papel presas no coração. Escolhi uma jarra antiga, e plantei-as na sala onde descanso, sonho e trabalho. As tuas flores são enormes, generosas, simpáticas e guardam o teu perfume. Sempre que passo por elas, o teu cheiro entra pelo meu corpo e enche-me de bem estar. É sempre cheia de bem estar que me sinto quando penso em ti, na tua alegria, generosidade e beleza, mesmo que o nosso amor seja feito de papel como estas flores.
Não precisamos de o regar todos os dias, nem de adubos, nem cortar os caules. Nem sequer precisamos de água, o nosso amor é quase imaterial,
tu aí e eu aqui, milhares de quilómetros por terra e duas horas e meia de voo.
Quando te vejo, o meu amor desenhado no papel torna-se real, ganha vida, cor, textura e cheiro e somos só um na mesma casa, siameses a passear na rua, gémeos a conversar, namorados a dormir. A nossa vida enche-se com a do outro e tudo o que desejamos é que o outro esteja tão feliz como nós. Depois, quando me separo, já não choro. Sei que o que pode acontecer é um mistério da existência e quanto menos planear, mais sorte vou ter. Demoro alguns dias a descer à terra, vou ao supermercado e encho o frigorífico para disfarçar o vazio no coração e escrevo muito, porque enquanto escrevo é como se aqui estivesses ao meu lado, gémeos a dormir e namorados a conversar, a lareira acesa e a paz de uma continuidade sonhada, porém possível.
É um amor de papel, frágil e opaco, leve e branco, feito de ideias, de sonhos, de esperança e de muitas cores. Um amor sem planos nem projectos, quase adolescente, intenso, puro e perfeito, que não precisa de provas nem palavras.
O amor é um acto de fé, uma manifestação de esperança. É como plantar uma semente. Por isso, a última vez que te fui visitar, também trouxe uma caixa de bolbos para plantar no meu jardim. Estou atrasada porque o Inverno já começou, mas pode ser que tenha sorte e na Primavera a minha entrada em casa seja um festival de cores e aromas. Algumas flores vão morrer, outras vão ser mais pequenas, mas sei que as mais fortes vão vencer o frio e germinar com grande beleza e generosidade. E sei também que por esses dias te vou ver por aqui, a ensinar-me a cuidar delas, tu que cuidas do meu coração melhor do que ninguém e nem sequer sabes.
O nosso amor é de papel, como as flores que me deste e no papel há-de ficar, para sempre escrito nas minhas palavras. E se um dia se transformar em qualquer outra coisa, será sempre numa outra forma de amor, porque o papel vem das árvores, mas o amor vem do amor e nunca morre, mesmo depois de cortado, prensado e transformado, porque amor é como plantar um semente e tu já plantaste a tua no meu coração.
margarida rebelo pinto




Guano Apes "Quietly" from Tedat on Vimeo.
Verdade nº 2


As pessoas são capazes de mentir. Quem diria hein?

Sábado, Outubro 10, 2009

Mostra o teu jogo



«Hoje preciso de um pois, preciso de um sim.
O que é que queres de mim, hoje sinto-me assim.
Hoje preciso de um pois, preciso de um sim.
O que é que queres de mim, hoje sinto-me assim.


Ecos de risos, sinfonias de gritos.
Como sangue na barriga de mosquitos.
Hoje preciso de mim.
Mostra o teu jogo. Eu pago para ver.»

Linda martini



Quarta-feira, Outubro 07, 2009

estou tão quente, tão quente. cá dentro :)

Terça-feira, Outubro 06, 2009

trees, they move


trees, they move. from rc cone on Vimeo.

Domingo, Outubro 04, 2009

o meu quarto












«Um roupeiro, um espelho, uma cadeira,
nenhuma estrela, o meu quarto, uma janela,
a noite como sempre, e eu sem fome,
com uma pastilha e um sonho, uma esperança. (...)

Falta-me.
Desde há dias que o meu coração quer fincar-se
debaixo de alguma carícia, uma palavra.
É áspera a noite. Contra muros, a sombra,
lenta como os mortos, arrasta-se. (...)

Amo-a até ao fundo de todos os abismos,
até ao último voo da última asa,
quando a carne toda não for carne, nem a alma
for alma.
É preciso amar. Isso já sei. Amo-a.
É tão dura, tão frágil, tão clara!
Esta noite, falta-me. (...)

Vou para outra parte.
E levo a minha mão que tanto escreve e fala.»



josé luís peixoto

Aparte I

esta semana foi curiosa. é estranho como tudo acontece numa sequência lógica e quase, indestrutível. falavam-me de amor. fizeram-me quase acreditar na pequenez dos momentos. contaram-me histórias. há quem ame e não sabia fazer outra coisa na vida, há quem sufoque de amor, há quem tenha descoberto o que é amar e não saiba o que fazer com tanta perfeição. em todo o caso, rio-me. primeiro nunca sei de que amor falamos. depois a efemeridade mundana lembra-me que não posso perder tempo. curioso é que já ninguém é nada sem alguém. o ser humano é sôfrego de emoções, carente mas sobretudo indeciso. tanto se cansa como deseja. disseram-me que serviam para fazer alguém feliz. disseram-me que se bastavam para viver. e depois eu penso. então mas para fazer alguém feliz temos de deixar de viver? ou para viver não temos tempo para fazer alguém feliz?
eu penso, penso mas sei lá. nem sei se quero saber a resposta.

Sábado, Outubro 03, 2009


Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Pára.



« Sentimos no ar a melodia etérea. É a nossa música.
Cantamos e dançamos como se fosse a última vez, o
último olhar, o último toque, o último beijo.
Estás linda.
O teu vestido, da cor do vinho que enche os copos,
aquece o chão que pisas e relembra a razão. Todas as
razões.
Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui.
Os olhos param em ti e em mim, enquanto preenchemos o
espaço vazio, impossivel de preencher por alguém que
não nós. Não pedimos o fim, mas não nos importamos se
acabar assim.
Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui. O
mundo é grande e em todo o lado se vive. Diz-lhe para
parar aqui, vivemos em caixas de fósforos. Não
sopres.
Se as mãos pudessem dizer por mim.
Eu queria tanto parar aqui.


Pára.»
Linda Martini

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Desistir

«Com o mundo completamente parado, com a idade parada, não é difícil parar também e, rodeados de fragmentos: uma existência inteira feita de vidro estilhaçado e espalhado no chão: o mais natural é baixarmo-nos sobre os calcanhares, pousar os cotovelos sobre os joelhos dobrados e, com cuidado, esticar as mãos para, com a ponta dos dedos, se começar a escolher cada fragmento, distinguir o que se deve abandonar do que se deve manter. Desistir não é sempre mau. Há vezes em que não se pode evitar. Todos nos dizem continua, continua, mas é o mundo que desiste, inteiro, à nossa volta.»
josé luís peixoto

Domingo, Setembro 27, 2009

mundos II

«Gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te.
Homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te.
Silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te.
Destruição contra o caos, destruição contra o caos, e eu amo-te.
Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te.
Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te.
Toda a cidade se destina à noite e eu amo-te.»



josé luís peixoto

mundos






Paciência

«Ensinaram-me que temos que ter paciência. Paciência e cuidado. As palavras perdem força só por serem ditas. Perdem sentido só porque os segundos passam. Disseram-me que tivesse paciência com elas, que magoam, destroem, embalam, aquecem. Disseram-me que tivesse cuidado também, pois podia perder-me no silêncio da tirania da minha consciência que teima em trazer a minha alma na boca. De facto subjuguei-me a ela. Por preguiça ou comodismo, talvez mesmo por não confiar em mais ninguém. Quem sabe assim saiba escolher. Saiba quem sabe um dia dizer as palavras certas. Porque temos sempre algo a perder, porque há sempre uma escolha, porque tem de haver um caminho só. O segredo é ter paciência. Paciência.»

Sábado, Setembro 26, 2009

heaviness

http://www.myspace.com/heaviness

Your Hand in Mine


Estou a deixar de me importar. 
Às vezes com o mundo, às vezes com a minha própria dor.
E estou a seguir, estou mesmo a seguir.

A minha estrela


« A noite
me pinga uma estrela no olho
e passa » p. leminski


Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Não basta

Quando não sabemos o que fazer às coisas não basta esperar que o tempo as tome por certas. Não basta. Pois ninguém espera. Nem mesmo quem ama.

















Coisas do arco da velha

Domingo, Setembro 20, 2009

Não fosse isso..





«não fosse isso 

e era menos 

não fosse tanto 

e era quase



não tenho mais tempo para silêncios.
não tenho mais tempo e nem paciência para silêncios.
não tenho mais paciência para sofrer no chão da cozinha.



não discuto
com o destino


Já disse de nós.
Já disse de mim.
Já disse do mundo.
Já disse agora,
eu que já disse nunca.
Todo mundo sabe,
eu já disse muito. »



Poesia de, P. leminski
(descobri este senhor numa parede de um bar e nesta noite, foi aconchego em palavras)

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Saudosismos


"As fotografias enganam o tempo suspendendo-o num pedaço de papel onde a alma não cabe"
e a minha alma já não cabe em papel nenhum.













dos meus livros favoritos, De Amor e de Sombra, Isabel Allende


Quinta-feira, Setembro 10, 2009

É então














« É então que me convenço finalmente que nunca serei campeão de xadrez, nunca registarei uma patente, nunca conduzirei uma Harley Davidson, nunca invadirei um pequeno país, nunca venderei relógios roubados aos transeuntes da rua Augusta, nunca serei protagonista de um filme de Hollywood, nunca escalarei o monte Evarest, nunca farei uma colcha de renda, nunca apresentarei um concurso de televisão, nunca farei uma neurocirurgia, nunca ganharei a lotaria, nunca casarei com uma princesa, nunca ficarei viúvo de uma princesa, nunca me mudarei para Detroit, nunca farei voto de silêncio, nunca tocarei harpa, nunca serei o empregado do mês, nunca descobrirei a cura para o cancro, nunca beijarei os meus próprios lábios, nunca construirei uma catedral, nunca velejarei sozinho à volta do mundo, nunca decorarei uma enciclopédia, nunca despoletarei uma avalanche, nunca apresentarei cálculos que contradigam Einstein, nunca ganharei um óscar, nunca atravessarei o Canal da Mancha a nado, nunca participarei nos jogos olímpicos, nunca esfaquearei alguém, nunca irei à lua, nunca guardarei um rebanho de ovelhas nos Alpes, nunca conhecerei os meus tetranetos, nunca repararei a avaria de um avião, nunca trocarei de pele, nunca bombardearei uma cidade, nunca serei fluente em finlandês, nunca comporei uma sinfonia, nunca viverei numa ilha deserta, nunca compreenderei Hitler, nunca exibirei um quadro no Louvre, nunca assaltarei um banco, nunca darei um salto mortal no trapézio, nunca atravessarei a Europa de bicicleta, nunca lapidarei um diamante, nunca farei patinagem artística, nunca salvarei o mundo. Ainda assim, além de tudo isto, há o universo inteiro. »
josé luis peixoto

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

cumpre alto














«Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho.»


Fernando Pessoa

o primeiro dia







«O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente.»
miguel sousa tavares

Terça-feira, Setembro 08, 2009

we felt safe and we discovered that our skin is soft

«I took the lights and radio towers out of my dreams
And we went all the way up to the small town where I'm from
With foggy air and the wind and the mountain top
And we clung to rocks and looked off and you held my hand
You almost got to start feeling me
I finally felt like I was breathing free
Under swaying trees we fell asleep and we had the same dream
The stars were bright, we dream the same every night
On my island home I spent some time with you

I went back to feel alone there
I went back there by myself
I gave up on everything that we'd felt

Every night when the sun went down in the town where we lived
The empty streets were lit up by reflected light from a distant sun
Bouncing off a glowing ball of rock and we just laid on the roof
And watched the moon, the moon, the blue light of the moon
We didn't talk and silently we both felt powerful
And, like the moon, my chest was full because we both knew
We're just floating in space over molten rock
And we felt safe and we discovered that our skin is soft
There's nothing left except certain death
And that was comforting at night out under the moon

I went out last night to forget that
I went out and stared it down
But the moon stared back at me
And in it's light I saw my two feet on the ground»

the microphones





Domingo, Setembro 06, 2009

Santiago de Compostela '09

«Olha agora o caminho que percorreste, respira ainda mais fundo, escuta o coração, procura um abraço, e vais perceber que há uma força que te guiou sempre, porque Ele também é uma viagem, que nos ensina a percorrer sonhos, a lutar mais forte e é dele que vais aprender a gostar.» 

Rui Anjos




Terça-feira, Setembro 01, 2009

Amo-te







Escaparam-me, e agora?

Domingo, Agosto 30, 2009

últimas palavras













« - E fui eu o último com quem ele falou.
- Foram para si as últimas palavras?
- É verdade. Muito inesperado.
- Que privilégio!
- Obrigado. Falou pouco, foi muito breve, brevíssimo.
- Conte, conte.
- Quase em surdina, disse-me apenas isto: «Foi de si que eu mais gostei. Deixo-lhe o mais importante…deixo-lhe o meu último superlativo. Guarde-o bem.» E expirou, quase imperceptivelmente.
- Guarde…? Mas guarde o quê?
- Você ouviu. O último superlativo. A herança, portanto.»