Começamos com um conceito, criamos uma imagem cientes que decerto alguém já fez uma música assim. Damos por nós a ver um filme exactamente igual ao que sonhámos ontem e duvidamos do destino.

Cinco minutos depois a janela é o nosso livro. Descansamos o corpo que permanece inerte e descansamos a alma que se perde nas cores e nos contornos. Contamos histórias de outros precisando apenas de signos. Afirmamos ser capazes de ver um copo meio vazio e temos a esperança de um dia inventar uma máquina da felicidade.

Já ninguém quer saber como se faz o verde. Já ninguém fecha os olhos quando beija. Já ninguém se emociona com um pôr-do-sol. Diz-se muito mas talvez não se diga o importante. As fotografias continuam a ser arte, os filmes são só ficção, a poesia é para os loucos.

Começamos com um conceito e quando olhamos a internet tem mil e uma páginas sobre o assunto. Não desistimos. Continuamos a querer mudar o mundo, continuamos a criar conceitos. Um dia, esperamos nós, terá que ser ou eu ou ela.