Enroscamos-nos lentamente em nós próprios porque afinal, é só com isso que pudemos contar.
Como companhia um banco de jardim.
Os olhos fechados embalados pela brisa quente de verão.
Sentimos o cheiro a terra, sentimo-nos tocados por tudo.
Desejamos distância das emoções, fazemos listas para amanhã e incluímos planos como
não pensar, não sentir, não querer.

Tretas. Mais ninguém nos pode ouvir, temos nós que fazer esse próprio papel.
Então fingimos e acreditem, somos mesmo bons nisso.
Arriscamos-nos a ter saudades e arrependemos-nos.

Os segundos são intermináveis: ora fazem-nos querer desistir, ora fazem-nos querer insistir.
O telemóvel toca mas já nos desligámos do mundo.

Agora é a espera,
e a paciência que dá cabo de nós.