Ensinaram-me que temos que ter paciência.
Paciência e cuidado.

As palavras perdem força só por serem ditas.
Perdem sentido só porque os segundos passam.

Disseram-me que tivesse paciência com elas,
que magoam, destroem, embalam, aquecem.
Disseram-me que tivesse cuidado também,
pois podia perder-me no silêncio da tirania da minha consciência
que teima em trazer a minha alma na boca.

De facto subjuguei-me a ela.
Por preguiça ou comodismo,
talvez mesmo por não confiar em mais ninguém.

Quem sabe assim saiba escolher. Saiba quem sabe, um dia, dizer as palavras certas.
Porque temos sempre algo a perder,
porque há sempre uma escolha,
porque tem de haver um caminho só.

O segredo é ter paciência. Paciência.