Satisfaz quando alguém nos canta aquilo que remoemos cá dentro, por mais banal que seja. Ouvir é sempre melhor que dizer. E se prestarmos atenção ouvimos aquilo que as palavras não dizem.


Palavras.
Cada vez mais acho que vão mudando de significado com o tempo, o nosso tempo de gestação no mundo. E com elas vêm as questões. Outras nunca são aquilo que "dizem" ser porque a espera de um corpo nunca traduz a expressão.
Pelo caminho vinha a saltitar de memória em memória e agora que aqui chego faltam-me as palavras. Mas não me falha um pensamento:
Mais do que querer ser diferente é preciso aceitar aquilo que nos é inerente. E a verdade é que todos somos substituíveis, todos temos medo, não nos conhecemos na essência e somos gananciosos. Se aceitarmos até aqui abre-se um espaço para crescermos e nos renovarmos.

A máquina que é o mundo deixou de ter espaço: somos demasiados, demasiado exigentes, queremos é fazê-lo girar. Se nos pedirem para ordenar por prioridades aquilo que queremos aposto, conseguimos sempre encontrar qualquer coisa que está mais à frente, que era melhor (e aqui é que os sonhos estragam tudo). Querer ser feliz já se tornou vago num planeta onde ser feliz é ser aquilo que cada um entender como auge da sua existência.

O que importa é que depois de chorar muito pela mediocridade com que batemos na parede surge um buraco. E eu «entro no túnel para ver a luz». As feridas servem para chegar ao fundo de nós e precisarmos de olhar para cima. Não fui eu que disse. Eu só pensei. E alguém cantou.